A Multiplica, gestora que construiu sua trajetória a partir do mercado de crédito estruturado e se consolidou como uma das principais casas de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) do país, dá um novo passo na expansão do seu ecossistema financeiro.
Impulsionada pela escala alcançada nos fundos de crédito, a casa passa a operar uma nova vertical de energia, voltada à eficiência de custos para clientes industriais, e avança nos planos de estruturar um fundo imobiliário (FII) ligado às suas operações proprietárias. Fundada em 2014 como uma factor de crédito, a gestora reforça uma tese de crescimento que, segundo seu CEO, José Eduardo Barbosa, é baseada em “diversificação, serviços integrados e capital próprio”.
“Desde o começo, o nosso DNA sempre foi crédito, mas crédito sozinho virou commodity”, afirma José Eduardo Barbosa, CEO da Multiplica. “O que diferencia uma casa hoje é serviço, estrutura e entender a real necessidade do cliente.”
Mercado de energia: eficiência como novo produto financeiro
A nova vertical de energia nasce a partir de uma demanda recorrente da base de clientes da Multiplica, especialmente do setor industrial. A proposta não é atuar como comercializadora tradicional nem investir em geração, mas funcionar como um orquestrador de eficiência no mercado livre de energia.
“Energia está sempre entre os três ou cinco maiores centros de custo de uma indústria”, afirma Barbosa. “E a gente vê muito cliente pagando 30% ou 40% mais caro simplesmente por não estar no mercado livre ou por falta de estrutura.”
Segundo o executivo, a Multiplica atua tanto na modelagem financeira necessária para que empresas consigam acessar o mercado livre quanto na negociação e gestão de contratos. “A gente não quer especular energia. A ideia é trazer eficiência, reduzir custo e simplificar a vida do cliente”, diz.
A operação será estruturada como uma empresa independente dentro do grupo, com governança própria e integração com as demais frentes do ecossistema. A casa está em processo de definição do executivo que liderará a vertical, buscando um perfil com experiência técnica no setor energético.
“A gente sempre monta esses negócios trazendo alguém especialista para tocar a operação”, explica Barbosa. “Energia é um mercado complexo, então faz todo sentido ter alguém 100% dedicado, mas conectado ao nosso ecossistema.”
FII nasce a partir do private equity proprietário
No braço societário, a Multiplica vem colhendo resultados positivos com sua estratégia de private equity, baseada em investimentos proprietários no desenvolvimento de ativos logísticos. Segundo a casa, a combinação entre forte demanda, velocidade de absorção e eficiência operacional tem permitido que os projetos avancem com geração rápida de caixa.
“A gente está muito focado em logística porque existe uma demanda estrutural clara”, afirma José Eduardo Barbosa. “Hoje, o nosso gargalo não é demanda, é terreno. Quando aparece um terreno bem localizado, a absorção é muito rápida.”
Nesse contexto, a gestora também prepara a estruturação de um fundo imobiliário (FII) ligado a essas operações, inicialmente como um veículo interno. “Vai ter um fundo imobiliário, mas ele começa como um fundo fechado, interno, reflexo dessa operação de private equity”, diz Barbosa.
Segundo o executivo, a ideia é usar o FII como instrumento de organização e potencial escala no futuro, sem pressa para captação. “Hoje não faz sentido abrir, porque a operação gira rápido. Se em algum momento precisar de capital, aí sim a gente avalia trazer investidor profissional.”
A Multiplica atua tanto em projetos build-to-suit quanto em empreendimentos especulativos, com foco em regiões estratégicas e eixos logísticos consolidados. A alta eficiência de construção e de venda tem feito o capital girar rapidamente, reduzindo, por ora, a necessidade de abrir o negócio para terceiros.
“A operação gera caixa e gira rápido. Por isso, a abertura para o mercado vai acontecer de forma muito criteriosa”, afirma Barbosa. Segundo ele, o FII é visto como um instrumento natural de escala, mas somente quando fizer sentido do ponto de vista de retorno e controle. “A ideia é crescer sem perder disciplina.”
Escala: R$ 20 bilhões
Hoje, a Multiplica administra cerca de R$ 20,4 bilhões em ativos, somando os braços de Asset e Wealth Management. A gestora de recursos responde por aproximadamente R$ 11 bilhões, com uma base predominantemente institucional.
“Grande parte do nosso capital vem de fundos de pensão, tesourarias de bancos e outros investidores institucionais”, afirma Barbosa. Segundo ele, a atratividade dos FIDCs da casa está na combinação entre estrutura, liquidez e retorno.
“A gente tem fundos com liquidez de 29 dias, pagando algo como CDI mais 3% ou 3,5%, sem come-cotas. Para o institucional, isso é extremamente eficiente quando você compara com outros produtos de crédito”, diz. “É previsibilidade de retorno com uma estrutura muito bem controlada.”
Além da Asset, a Multiplica mantém uma área robusta de gestão patrimonial, que reúne cerca de R$ 9 bilhões, voltada a famílias de altíssimo patrimônio.
“No Wealth, nosso público são famílias com pelo menos R$ 20 milhões a R$ 30 milhões, mas a média que a gente busca está mais perto de R$ 70 a R$ 100 milhões”, explica Barbosa.
Na Asset, a presença institucional é dominante. Segundo o executivo, cerca de 70% do capital dos FIDCs vem de investidores institucionais, como fundos de pensão, bancos, outras gestoras e family offices.
“FIDC virou um produto muito eficiente. Você tem liquidez curta, boa rentabilidade e, em alguns casos, isenção de come-cotas. Para o investidor institucional, faz muito sentido”, afirma.
