O mercado financeiro brasileiro registrou a primeira emissão de Letra de Risco de Seguro (LRS) com distribuição ao mercado. A operação, estruturada por Avla, Galapagos Capital, Tivio Capital e Marvin, captou R$ 126 milhões e foi desenvolvida para cobrir operações de seguro de crédito de uma grande varejista.
Segundo as empresas, esta é a quarta emissão de LRS no Brasil e a primeira com distribuição ao mercado. A operação contou ainda com assessoria jurídica dos escritórios Mattos Filho, Pinheiro Neto Advogados e Madrona Advogados.
Criada a partir do novo marco legal da securitização de 2022, estabelecido pela Lei nº 14.430/2022, a LRS permite a transferência de riscos de seguros e resseguros para o mercado de capitais. O instrumento funciona como um título estruturado em que os recursos aportados pelos investidores servem de lastro para operações de seguro — neste caso, seguro de crédito.
Na prática, o capital captado atua como garantia para eventuais sinistros. Caso o evento previsto não ocorra, o investidor recebe o valor investido acrescido da remuneração acordada. Em caso de sinistro, parte ou a totalidade dos recursos pode ser direcionada ao pagamento de indenizações, com mecanismos de garantia previstos na estrutura da operação.
“A LRS permite acessar o capital do mercado financeiro de forma direta para financiar riscos de seguros, criando uma alternativa tanto para investidores quanto para o setor. O modelo representa uma mudança importante na lógica tradicional do mercado ao estabelecer uma ponte direta entre quem assume risco e quem busca oportunidades de investimento”, afirmou Felippe Astrachan.
De acordo com Roberto Takatsu, a disseminação do instrumento ainda passa por um processo de aprendizado no mercado local. “As primeiras emissões foram criadas do zero, sem referências que pudessem agilizar o processo. Desta forma, tivemos que educar tanto as seguradoras, como os investidores, para a compreensão deste novo segmento. Hoje, temos um arcabouço contratual já implantado e os players já possuem um conhecimento mais avançado sobre as LRS, o que permite que novas emissões ocorram de forma mais rápida”, disse.
As empresas destacaram que o mercado internacional de Insurance Linked Securities (ILS) já apresenta maior maturidade. Segundo os dados divulgados pelas companhias, os Estados Unidos registraram US$ 24,7 bilhões em novas emissões em 2025, totalizando cerca de US$ 60 bilhões em estoque.
“O potencial desse instrumento é amplo, tanto pela diversidade de riscos que podem ser estruturados quanto pela capacidade de atrair diferentes perfis de investidores. Estamos no início de um movimento que pode transformar a forma como o risco é financiado no país”, afirmou Astrachan.
A Tivio Capital atuou como gestora dos ativos e investidora âncora da operação. Segundo Matheus Alencastro, o instrumento amplia o acesso dos investidores a estratégias antes restritas ao mercado segurador.
“A LRS ainda é um instrumento recente no Brasil, embora já bastante difundido no exterior. Para nossos clientes, representa acesso a uma fonte de retorno descorrelacionada de renda fixa e renda variável, com relação de risco retorno favorável — algo que antes era restrito a seguradoras e resseguradoras. Essa operação é mais um passo na construção de uma plataforma de alternativos robusta e diversificada, que segue em expansão”, afirmou.
Já a Marvin atuou como agente de garantias e coestruturadora da operação, sendo responsável pela constituição e gestão do colateral financeiro.
“Estamos muito satisfeitos com o sucesso dessa primeira emissão. Encontramos na Avla um parceiro igualmente inconformado com o ‘não dá para fazer’. Essa é a primeira de uma série que vamos lançar ainda este ano”, disse Bernardo Vale.
A Avla afirmou que já superou R$ 1 bilhão em prêmios emitidos desde o início da operação brasileira. A companhia opera no Chile, Peru, México, Brasil e Estados Unidos.
A Galapagos Capital informou possuir cerca de R$ 40 bilhões sob gestão e mais de 50 mil investidores. Já a Tivio Capital declarou ter R$ 32 bilhões sob gestão e foco em investimentos alternativos. A Marvin informou gerir mais de R$ 9 bilhões em colaterais financeiros.
