O avanço da digitalização nos mercados financeiros mexicanos marcou um impulso sem precedentes no número de clientes e ativos dos fundos de investimento do país.
De acordo com dados da Associação Mexicana de Instituições Bursáteis (AMIB), no ano passado a indústria de fundos de investimento somou 660.275 milhões de pesos em ativos líquidos (cerca de 34 bilhões de dólares), ao mesmo tempo em que incorporou cerca de 4,5 milhões de novos investidores.
No total geral, o balanço final do ano indica que o mercado mexicano de fundos de investimento encerrou com 16,12 milhões de clientes após um avanço anual de 38,6%, marcando um marco neste segmento; além disso, o saldo administrado pelo mercado mexicano chegou a 4,916 trilhões de pesos (aproximadamente 258.736,10 milhões de dólares), outro recorde histórico.
Com esses números, a indústria de fundos de investimento se consolida como a terceira maior do sistema financeiro mexicano, representando cerca de 13% do PIB, atrás apenas das Afores e da banca comercial.
Para os analistas do mercado, a causa desse impulso histórico é clara: deve-se à contínua digitalização dos serviços financeiros no país, que ampliou o acesso a produtos de investimento que antes estavam limitados apenas a clientes institucionais e de alto patrimônio. Os dados também já demonstram uma mudança estrutural em direção à formalização da poupança no México.
Todos os números anteriores não têm precedente no mercado mexicano e confirmam o momento vivido pelo México, com um marcado apetite por investir apesar dos desafios e da volatilidade que enfrenta, como grande parte do mundo.
Alta concentração, o outro desafio
Esse avanço em clientes e ativos sob gestão na indústria de fundos de investimento do México ainda tem muita margem, considerando que o país conta com uma baixa taxa de poupança pessoal há décadas. Mas os especialistas consideram que a melhor maneira de que se mantenha um desempenho saudável é modificando a elevada concentração que hoje existe no mercado.
Em 2025, mais uma vez os instrumentos de dívida se mantiveram como a espinha dorsal da indústria; no fechamento do ano totalizaram um valor de 3,638 bilhões de pesos (cerca de 191.473,68 milhões de dólares), montante que representou 74,01% do total de ativos sob administração.
Por sua vez, os fundos de renda variável concentraram 1,278 bilhões de pesos (67.263,15 milhões de dólares), valor que representa 26% do total do mercado.
Em termos concretos, no ano passado os fundos de dívida no mercado mexicano registraram um aumento de 15,24% em ativos e de 39,73% em sua base de clientes. Já os fundos de renda variável aumentaram 16,30% em seus ativos sob gestão, enquanto a base de investidores cresceu 22,66%.
A diversificação por meio de estratégias de investimento mais sofisticadas deve ser o próximo passo nos próximos anos para consolidar esse crescimento em um mercado mais robusto que, por sua vez, permita que outros indicadores se consolidem, segundo aqueles que analisam o desempenho da indústria.



