A América Latina entra em 2026 com um cenário de crescimento moderado, avanço na digitalização de obras e uma persistente lacuna de investimentos em infraestrutura. Nesse contexto, o Brasil se consolida como o principal mercado da região, segundo a Turner & Townsend.
De acordo com a consultoria, “a infraestrutura na América Latina entra em 2026 com três vetores claros: a aceleração da digitalização de obras, uma brecha estrutural de investimento que segue pressionando a capacidade de entrega e um ambiente macroeconômico de crescimento moderado”.
Estimativas indicam que a região precisa investir cerca de 3% do PIB ao ano em infraestrutura para atingir padrões de acesso, qualidade e sustentabilidade nas próximas décadas. Ao mesmo tempo, projeções do Banco Mundial apontam crescimento de cerca de 2,5% para América Latina e Caribe em 2026, após expansão entre 2,3% e 2,5% em 2025.
Nesse ambiente, a eficiência operacional ganha relevância. Segundo a empresa, “a eficiência operacional — sobretudo por meio da integração campo-escritório — torna-se um diferencial prático na gestão de projetos para proteger margens e cronogramas em um ambiente de capital mais seletivo”.
Brasil como mercado âncora
O Brasil mantém a posição de maior mercado de infraestrutura da região, impulsionado pela escala de projetos e pelo avanço na digitalização. A adoção de tecnologias como BIM e ambientes comuns de dados (CDE) permite maior confiabilidade nos projetos, medições digitais e decisões em tempo quase real.
No setor de transporte, avaliações apontam um cenário estável entre 2025 e 2026, com tráfego acima do período pré-pandemia, custos mais controlados e melhores condições de refinanciamento, o que favorece carteiras com CAPEX disciplinado.
A Turner & Townsend destaca três tendências tecnológicas para 2026: integração entre campo e escritório com uso de drones e sensores, aplicação de inteligência artificial na análise de riscos e prazos, e expansão de gêmeos digitais baseados em BIM 5D.
“Dados confiáveis no ritmo da obra são tão críticos quanto o próprio CAPEX. A integração campo-escritório […] pode ser a diferença entre projetos que apenas começam e projetos que terminam no prazo, no orçamento e com ativos prontos para operar”, afirma Luis Del Cistia, diretor de Infraestrutura, Energia e Recursos Naturais da Turner & Townsend na América Latina.
Digitalização e gestão de projetos
A empresa também destaca o uso da solução Quanttum, baseada em BIM 5D, que permite acompanhar o progresso das obras e identificar impactos em custos e prazos. A ferramenta compara varreduras LiDAR com modelos digitais, aumentando a precisão das medições e reduzindo erros.
Segundo a companhia, os relatórios gerados pela plataforma “reduzem o tempo de análise e permitem uma tomada de decisão antecipada, com maior confiança e previsibilidade”.
Desafios estruturais persistem
Apesar do potencial, a região ainda enfrenta desafios ligados à estabilidade econômica e à qualidade das parcerias com o setor privado, consideradas essenciais para reduzir o déficit de investimentos.
No México, o avanço do nearshoring impulsionou mais de US$ 40 bilhões em investimento estrangeiro direto nos primeiros nove meses de 2025, aumentando a demanda por energia, logística e parques industriais, mas exigindo maior rigor contratual e controle digital.
Na Colômbia, a expansão de corredores rodoviários com mais de 1.000 km em obras reforça a necessidade de métricas padronizadas e governança. Já no Chile, o desenvolvimento de infraestrutura depende de modernização regulatória e fortalecimento institucional para atrair capital de longo prazo.
Para Del Cistia, a região precisa avançar em três frentes: qualificação de mão de obra, investimento contínuo em digitalização e fortalecimento de parcerias público-privadas. “É assim que a América Latina, principalmente o Brasil, poderá transformar seu potencial em vantagem competitiva diante dos grandes mercados globais”, afirma.



