Os fundos de pensão brasileiros apresentaram índice de solvência superior a 100%, segundo os dados mais recentes da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) referentes a novembro de 2025. A solvência acima de 100% indica que a soma do superávit dos planos de benefícios administrados pelos fundos de previdência complementar fechada supera a soma do déficit. As informações foram divulgadas pela autarquia na última sexta-feira (23/02) através de uma nota pública em resposta à reportagem publicada no jornal Valor Econômico.
Segundo o comunicado, de um total de 1.131 planos que compõem o setor, 453 são superavitários. Eles somam R$ 37,4 bilhões de superávit. Na outra ponta, há 231 planos que são deficitários, a acumulam R$ 27 bilhões de déficit. Os demais planos estão em situação de equilíbrio. O resultado agregado, que representa a diferença entre o superávit total e o déficit, ficou portanto em R$ 10,4 bilhões positivos. As projeções apontam que o patrimônio total do sistema deve fechar em torno de R$ 1,4 trilhão em 2025, o que aponta para um índice de solvência de 100,07%.
“O resultado confirma o elevado grau de solvência para as entidades da previdência complementar fechada, que têm capacidade de honrar os compromissos no longo prazo”, diz a nota pública da Previc. O órgão divulgou que o resultado superavitário foi verificado em todos os segmentos de fundos de pensão, desde o S1 (maiores e mais complexas) até o S4 (menores e menos complexas). O segmento S1, por exemplo, do qual fazem parte as gigantes Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica), entre outras, possuem planos que somam superávit de R$ 4,7 bilhões.
A Previc indicou ainda que o resultado do ano passado mostrou uma melhoria na condição geral dos planos do setor, com a redução daqueles com déficit. Os dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) demonstram a melhoria nos resultados comparados entre 2024 e 2025. No final de 2024, segundo dados da associação, haviam 308 planos com déficit. Essa quantidade caiu para 191 em outubro de 2025 (dados mais recentes). Já os planos com superávit saltaram de 308 para 345 no mesmo período.
“O resultado positivo, registrado no ano de 2025, mostra a melhoria do setor, que recuperou posição após o ano difícil de 2024, quando as aplicações em renda variável foram influenciadas pela queda de 10,36% no Ibovespa”, diz a nota da Previc.
A direção da autarquia tem se manifestado a respeito da necessidade de preparação das políticas de investimentos dos fundos de pensão para um provável cenário de queda nos juros da economia nos próximos anos. “As entidades fechadas precisam se preparar para a nova conjuntura de juros baixos, em que será necessária a diversificação de seus portfólios de investimento. Para isso, é preciso preparar sua força de trabalho, com profissionais habilitados na análise e na escolha das melhores opções de investimento, num processo de transição segura”, aponta a nota pública da Previc.
A autarquia também aponta para a necessidade da revisão das regras de solvência e equacionamento de déficit para o setor que atualmente estão contidas na Resolução CNPC n. 30/2018. Existe o diagnóstico da atual direção da Previc que as regras atuais têm levado a maior frequência de procedimentos de equacionamento de déficit que podem ser desnecessários e que oneram os custos dos planos tanto para participantes quanto para as empresas patrocinadoras.



