No início do segundo mês do ano, a economia mexicana tem maior definição em relação aos que poderiam ser os desafios mais significativos nos próximos meses, os quais podem traçar o rumo de todo o ano, segundo uma análise de José Carlos Sánchez, Economista-Chefe do HSBC México.
«Depois de um 2025 complicado devido ao baixo crescimento, riscos de tarifas e incerteza nas políticas, a economia mexicana se perfila para uma recuperação gradual em 2026. Apesar dos desafios, os ativos mexicanos têm mostrado bom desempenho e as perspectivas para este ano continuam sendo positivas», disse o estrategista.
Aqui, algumas perguntas e respostas sobre o futuro econômico do país, segundo o HSBC:
1- Por que o HSBC México projeta uma inflação de 4,4% para o fim de 2026 acima do consenso?
Esperamos que a inflação encerre 2026 em 4,4%, acima do consenso, devido ao fato de que as novas tarifas sobre produtos de países sem tratado, como a China, podem aumentar os preços de vários bens, especialmente automóveis e eletrodomésticos. Além disso, os preços dos serviços continuam elevados e mostram pouca flexibilidade de queda. Embora o peso forte possa ajudar a conter alguns preços, a inflação segue sendo um desafio, sobretudo porque os preços de alimentos e energia têm estado baixos, mas podem subir mais adiante.
2- Por que esperamos um crescimento do PIB de 1,5% em 2026 acima do consenso?
No HSBC México prevemos que a economia mexicana recupere o ritmo em 2026, com um crescimento do PIB de 1,5%. Isso se deve a vários fatores: os serviços, especialmente o turismo, têm sido muito resilientes e podem melhorar ainda mais com eventos como a Copa do Mundo. A manufatura e outras atividades industriais mostram sinais de recuperação após a queda de 2024 e do início de 2025. As exportações continuam crescendo, o que ajuda a compensar a fraqueza no investimento. Além disso, o consumo privado se mantém estável, o que apoia a demanda interna. Tudo isso contribui para uma perspectiva mais otimista do que a do consenso do mercado.
3- O que poderia levar o Banxico a reduzir mais as taxas e por que não esperamos altas?
O Banxico reduziu a taxa de juros para 7%, um nível considerado neutro. Embora haja pouco espaço para mais cortes por causa da inflação, se o peso continuar forte ou a economia enfraquecer mais do que o esperado, podem considerar reduzir a taxa. Não são esperadas altas, a menos que a inflação suba muito mais do que o previsto. O banco central mantém uma postura cautelosa, aguardando que a inflação caia antes de fazer novos movimentos.
4- O que sustenta as finanças públicas em 2026, apesar dos desafios estruturais?
As finanças públicas melhoraram, com um orçamento que prevê superávit primário e déficit administrável. O México mantém uma das menores dívidas em relação ao PIB na região, embora ainda esteja pendente uma reforma fiscal mais profunda. O governo implementou novos impostos, como sobre bebidas açucaradas e alguns alimentos processados, mas ainda há margem para melhorar a arrecadação. A estabilidade fiscal depende de manter o controle dos gastos e de que a economia continue crescendo.
5- Qual é nossa perspectiva sobre o peso mexicano (MXN)?
Espera-se que o peso continue forte e supere outras moedas emergentes, embora possa haver episódios de volatilidade durante a revisão do TMEC. Se o tratado for renovado com sucesso, acreditamos que o peso possa encerrar o ano em 17,25 por dólar. O peso tem se beneficiado de taxas de juros atrativas e da estabilidade política, mas é preciso estar atento a possíveis movimentos bruscos se houver surpresas na negociação do tratado.
6- Qual é a situação atual das tarifas entre México e Estados Unidos e das tarifas mexicanas para países sem tratado de livre comércio?
Atualmente, o México enfrenta várias tarifas impostas pelos Estados Unidos; há tarifas de 25% para automóveis e caminhões leves, 50% para aço, alumínio e cobre, e até 25% para produtos de madeira. Mais de 45% das importações dos EUA provenientes do México estão sob tarifas setoriais. No entanto, na prática, o impacto real é de apenas 5%, já que muitos produtos conseguem evitar as tarifas graças a acordos e regras de origem, além de que 83% das exportações mexicanas estão protegidas pelo TMEC. Por outro lado, o México aumentou tarifas de até 50% sobre mais de 1.400 produtos de países sem tratado, especialmente a China, para proteger a indústria local e responder a preocupações dos EUA sobre a entrada de produtos chineses. Entre os produtos afetados estão automóveis, autopeças, brinquedos, móveis e têxteis. Essa medida busca equilibrar a relação comercial com os EUA, mas também pode ter impacto na inflação, embora o governo assegure que os produtos da cesta básica estão isentos.
7- Quais são as datas e o processo oficial para a revisão do TMEC?
Em 2026 será realizada a primeira revisão conjunta do tratado entre México, Estados Unidos e Canadá. O processo formal começa em 1º de julho de 2026. Se os três países concordarem, o TMEC se estende até 2042, com uma próxima revisão em 2032. Se não houver acordo, serão feitas revisões anuais até 2036, quando poderá expirar se não for renovado. Cada país pode se retirar do tratado com seis meses de aviso. Atualmente, os governos já realizaram consultas internas para preparar a negociação.
8- Qual é o cenário base do HSBC México e os principais riscos para o TMEC sob a perspectiva mexicana?
A incerteza sobre o TMEC afetou o investimento em 2025, o que explica parte do baixo crescimento econômico. No entanto, a integração comercial com os Estados Unidos continua forte e o México se consolidou como o principal parceiro comercial desse país. O governo mexicano tem feito esforços para se alinhar às demandas americanas, como as novas tarifas sobre produtos chineses. Se a revisão do tratado correr bem, na segunda metade de 2026 espera-se maior investimento e confiança. Se não houver acordo e a revisão se prolongar, a incerteza pode afetar o crescimento, sobretudo na manufatura. Além disso, temas como regras de origem, comércio agrícola, automóveis e energia estarão na mesa de negociação.



