Esgotamento, incerteza, “burnout” e, mais uma vez, cansaço são os estados do consumidor norte-americano e latino-americano em 2026, segundo a agência Findasense, que analisa as estratégias das marcas para continuar vendendo ao que eles mesmos retratam como pessoas exauridas.
“Estresse prolongado, fragmentação da atenção e o avanço acelerado da tecnologia estão causando estragos”, e a Findasense propõe cinco estratégias para se adaptar.
A primeira chave é a indulgência para reconectar. Em um contexto de esgotamento e incerteza, o estudo aponta que o burnout deixou de ser um fenômeno isolado para se tornar uma experiência disseminada entre os consumidores.
Nos Estados Unidos, 57% das pessoas em atividade laboral declaram ter atravessado situações de burnout moderado ou alto.
Na América Latina, o cansaço se expressa em hábitos cotidianos: 60% ficam acordadas até tarde usando o celular, enquanto 2 em cada 10 mulheres e 1 em cada 10 homens afirmam experimentar esgotamento com frequência. A fadiga impacta especialmente as gerações mais jovens, com 17% da Geração Z e 14% dos millennials que se declaram especialmente exaustos.
Nesse cenário, a segunda chave é o equilíbrio como horizonte.
Mais do que uma tendência passageira, o bem-estar integral se consolida como uma aspiração central do consumidor. Na América Latina, essa busca está vinculada a uma transição demográfica relevante: estima-se que 20,46% da população terá mais de 65 anos nos próximos anos. Nesse contexto, as pessoas priorizam práticas que cuidam de sua saúde física e mental, transformando suas decisões de compra em direção a um consumo mais consciente.
Os dados reforçam essa mudança: 67,5% dos mexicanos consideram que praticar exercícios melhora a saúde, e 40% dos consumidores em países como Colômbia, Chile e Argentina participarão de atividades vinculadas ao bem-estar emocional em 2025. Em paralelo, as vendas online de suplementos cresceram 19% na região, com mulheres entre 30 e 50 anos como principais compradoras.
“Hoje, o consumidor se conecta com marcas que compreendem seu cansaço cotidiano e o acompanham com propostas autênticas e relevantes. A empatia deixou de ser apenas um valor para se tornar uma estratégia-chave. Quando as marcas sabem ler esses estados emocionais e agir em consequência, conseguem construir vínculos muito mais sólidos e duradouros”, explica Zalma Piña, Global Strategy Lead da Findasense.
A terceira chave é o moment marketing como resposta tática ao esgotamento e à falta de atenção.
Em um cenário de saturação de estímulos e atenção fragmentada, o momento se converte em um novo território competitivo para as marcas. O relatório aponta que 76% das pessoas utilizam o smartphone enquanto assistem à televisão, 81% prestam mais atenção à publicidade quando ela está alinhada ao conteúdo que consomem e 94% preferem anúncios relacionados a esse conteúdo.
“Diante desse panorama, as marcas utilizam inteligência artificial e análise de dados para interceptar o consumidor em seus micro momentos mais receptivos ou emocionalmente vulneráveis, por meio de conteúdo hiper-relevante que transforma a publicidade em uma oportunidade significativa”, diz o estudo.
A quarta chave é o SEO conversacional como novo território de busca.
A irrupção da inteligência artificial generativa elimina o simples match de palavras-chave e transforma a busca em uma conversa profunda. Hoje, 33% das pessoas descobrem marcas e produtos por meio de buscas online, e 51% dos food shoppers pesquisam produtos na internet antes de comprá-los.
Essa mudança obriga as marcas a repensar suas estratégias de SEO, focando na resolução de dúvidas reais, no uso da linguagem falada e na compreensão da intenção e do contexto do consumidor.
A quinta chave é a IA para otimizar processos, com critério humano.
A inteligência artificial se consolida como uma ferramenta essencial para acelerar a criatividade, a personalização e a eficiência em grande escala. Atualmente, 58% dos marketers já utilizam IA em seus processos e 48% a aplicam em tarefas de copywriting.
No entanto, o relatório adverte que a eficiência tecnológica sem supervisão humana pode gerar conteúdos genéricos, desconfiança e perda de autenticidade. O verdadeiro desafio é integrar ética, supervisão e sensibilidade humana, utilizando a IA como copiloto estratégico e não como substituta do pensamento criativo.



