Depois de construir sua operação em torno do acesso dos brasileiros a investimentos internacionais, a Avenue prepara uma nova etapa de expansão. A plataforma quer ampliar o leque de serviços oferecidos aos clientes e avançar sobre produtos bancários no exterior, começando pelo lançamento de um cartão de crédito emitido nos Estados Unidos.
A estratégia foi detalhada por Roberto Lee, fundador da Avenue, em conversa com a Funds Society Brasil. Segundo o executivo, a companhia, que tem o Itaú como sócio majoritário, percebeu que a internacionalização financeira das famílias brasileiras deixou de se limitar à diversificação dos investimentos e passou a envolver aspectos mais amplos da vida cotidiana.
“O que a gente descobriu, na verdade, é que não para por aí. As famílias brasileiras que se conectam com o exterior começam por investimentos, mas expandem sua jornada para uma jornada de vida”, diz Lee.
Na avaliação do fundador da Avenue, esse movimento aparece principalmente em três frentes: educação internacional, aquisição de imóveis e brasileiros que trabalham ou recebem recursos do exterior.
“A gente tem visto na nossa base de clientes, mas também ao redor, em todo o mercado, um crescimento inacreditável de planejamentos familiares para a educação internacional”, disse. “É uma jornada enorme de brasileiros que começam a ter seus imóveis no exterior. Seus primeiros imóveis, e não é mais coisa de famílias muito ricas. Já penetrou na alta renda.”
A mudança ajuda a explicar o próximo passo da Avenue. Se a primeira fase da empresa esteve concentrada em conectar o investidor brasileiro ao mercado internacional, a intenção agora é acompanhar o cliente também em outras necessidades financeiras que surgem fora do país.
“Nosso objetivo é tornar realidade uma visão que a gente tem: deixar tão natural para os brasileiros usar serviços bancários no exterior quanto eles usam no Brasil”, diz.
Para Lee, existe uma lacuna justamente nesse processo. Enquanto o investidor já encontra no Brasil instituições e profissionais capazes de auxiliá-lo na construção de uma carteira internacional, outras necessidades ligadas à vida no exterior ainda exigem que as famílias percorram boa parte do caminho por conta própria.
“Eles já são conectados com o sistema brasileiro, mas todas essas outras jornadas, eles se tornam invisíveis ao sistema brasileiro. E têm que trilhar sozinhos esse caminho”, afirma.
Cartão de crédito americano ainda em 2026
Um dos primeiros produtos dessa nova etapa deverá ser o cartão de crédito da Avenue. Lee afirmou que a expectativa é começar a emitir os primeiros cartões para clientes ainda neste ano.
“Será um cartão da Avenue. Espero que esse ano a gente comece a emitir os primeiros cartões de crédito para os nossos clientes.”
Segundo o executivo, o cartão será emitido e liquidado nos Estados Unidos. “É um cartão americano, operado por uma empresa brasileira”, resume.
A ambição, porém, não termina no cartão. Questionado sobre a possibilidade de a Avenue futuramente oferecer aos brasileiros acesso a empréstimos no mercado americano, Lee disse que esse é um dos caminhos que a companhia pretende percorrer.
“É para aí que a gente está trabalhando. Ainda estamos longe, mas esse é o nosso objetivo.”
A estratégia não significa, na visão do executivo, simplesmente transformar a Avenue em um banco. Para Lee, a licença bancária é apenas uma das peças da infraestrutura necessária para construir uma oferta mais abrangente de serviços no exterior.
“Banco é basicamente uma licença. Acho que não é sobre isso”, afirmou. O fundador destaca, nesse contexto, a estrutura do Itaú, controlador da Avenue. Segundo Lee, a presença do grupo em diferentes jurisdições oferece à plataforma acesso a estruturas fundamentais para essa operação.
“É óbvio que a gente conta com o privilégio de ter um sócio majoritário controlador que é o Itaú, que consegue carregar licenças muito sofisticadas, enraizadas, com capital humano e regulatório e de infraestrutura em várias jurisdições, inclusive no americano”, diz o CEO, citando também que o controlador recentemente obteve autorização preliminar para constituir um banco com licença nacional nos Estados Unidos.
Imóveis, educação, seguros e crédito
A Avenue também enxerga oportunidades em serviços associados à compra de imóveis, educação internacional e seguros.
A proposta de Lee é que parte desse atendimento possa continuar sendo feita a partir do próprio Brasil, mesmo quando o produto ou serviço financeiro estiver no exterior.
“A nossa visão é que quem te ajuda, assim como quem te ajuda a investir fora hoje, está aqui no Brasil. Quem vai te ajudar a conseguir um crédito imobiliário, financiamento estudantil, um seguro para o imóvel que você comprou lá fora vão ser profissionais brasileiros.”
Isso envolve, segundo ele, a construção de um ecossistema que ultrapassa os limites da própria Avenue. O executivo cita, por exemplo, imobiliárias brasileiras capazes de ampliar sua atuação internacional e instituições de ensino que preparem estudantes para universidades estrangeiras.
A Avenue pretende atuar como uma espécie de catalisadora desse movimento.
“A gente tenta ser o agente catalisador e de liderança disso”, disse Lee. “O líder não é só quem é o maior, quem ganha mais dinheiro ou quem atende mais clientes. O líder é quem pavimenta o caminho.”
Para o executivo, a tendência que levou investimentos internacionais a deixarem de ser um produto restrito às famílias mais ricas começa agora a aparecer em outras dimensões da internacionalização patrimonial.
Lee cita o mercado imobiliário como exemplo. “Brasileiros são o terceiro maior comprador de imóvel na Flórida. O ticket médio não para de cair. Não é mais coisa de famílias muito ricas, assim como não é mais coisa de famílias muito ricas investir fora.”
