Em meio à incerteza geopolítica e à acentuada volatilidade que caracterizaram o primeiro semestre de 2026, os assessores financeiros da América Latina e US Offshore tomaram decisões estratégicas para reequilibrar seus portfólios, segundo revelam as conclusões do mais recente Barômetro de Carteiras de Assessores da Natixis Investment Managers. O relatório, que analisa 53 portfólios-modelo moderados, destaca que as carteiras mais sólidas não simplesmente assumiram um risco excessivo, mas gerenciaram e aplicaram o risco de maneira mais eficaz.
A conclusão de maior destaque foi a reafirmação do núcleo de investimento tradicional: os ativos tradicionais (renda variável e renda fixa combinadas) continuaram sendo a opção preferida, representando 89% da carteira média. O relatório também revelou uma reconfiguração da forma como os assessores gerenciam o risco. Diante de um cenário em que as fórmulas defensivas convencionais perderam eficácia, os profissionais optaram por ajustar dinamicamente suas ponderações estratégicas, buscando um equilíbrio entre capturar crescimento e proteger o capital por meio de veículos mais ágeis.
Flexibilidade em títulos e maior peso da renda variável
Para navegar por um ambiente em que a renda variável e os títulos se movimentaram na mesma direção, reduzindo a proteção que a renda fixa tradicionalmente oferece, os assessores se voltaram decididamente para a flexibilidade. As estratégias diversificadas e flexíveis alcançaram 60% da alocação média em renda fixa, e os mandatos de renda fixa puramente flexíveis representaram, por si só, 40% dessa classe de ativos. Essa flexibilidade deu aos gestores a margem necessária para ajustar ativamente a duration e o risco de crédito.
Junto a essa busca por flexibilidade, a segunda grande decisão dos assessores foi aumentar a exposição à renda variável para 47% da carteira total, um aumento de 4 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre de 2025. Para financiar essa maior alocação em renda variável e abrir espaço para ativos reais, os profissionais reduziram moderadamente sua posição em renda fixa tradicional, que ficou em 42% da carteira total.
É o que afirma Lucas Pérez, Country Head para o Cone Sul da Natixis Investment Managers: “Este estudo confirma o que temos observado no mercado: os assessores que melhor navegaram pelo primeiro semestre de 2026 não foram os que assumiram mais risco, mas os que o gerenciaram com maior inteligência. A renda fixa flexível lhes deu margem de manobra diante das mudanças nas taxas, e o aumento da renda variável e dos ativos reais reflete uma leitura mais precisa do ciclo econômico. O desafio agora é que, com a correlação entre renda variável e títulos em níveis historicamente elevados, a diversificação já não pode depender unicamente dos instrumentos tradicionais, e isso também se aplica aos nossos clientes em toda a região”.
Gestão da concentração e diversificação tática
O barômetro da Natixis IM mostrou que a execução e a estrutura interna da carteira foram os fatores que fizeram a diferença no desempenho entre os assessores. Uma das decisões táticas mais determinantes entre as carteiras do quartil superior (as de melhor desempenho, com rentabilidade semestral de 9%) foi a gestão rigorosa do risco por meio do controle da concentração de riscos. As carteiras líderes limitaram o peso de suas três maiores posições a 40% do total de ativos, em forte contraste com as carteiras do quartil inferior, que mantiveram elevados 53% de seu capital expostos a apenas três instrumentos, o que as deixou mais vulneráveis à volatilidade do mercado.
Essa busca por menor concentração também se refletiu estrategicamente no componente de renda variável. Enquanto as carteiras de melhor desempenho diversificaram sua exposição em uma mediana de sete posições e limitaram sua maior posição a 32% do componente de renda variável, o grupo de menor desempenho concentrou elevados 45% em uma única posição, mantendo uma média de apenas quatro ativos no total. Essa falta de diversificação impediu que as carteiras com desempenho inferior capturassem a recuperação de maneira uniforme durante o segundo trimestre do ano.
O barômetro também revelou uma mudança clara na abordagem do crédito. Os assessores de melhor desempenho optaram por reduzir a renda fixa global tradicional para 35,9% de seu componente de títulos (ante 49% no quartil inferior). Em seu lugar, realocaram esse capital para nichos mais específicos que ofereciam um melhor perfil de retorno ajustado ao risco, aumentando taticamente sua exposição à dívida corporativa, aos títulos de mercados emergentes e às estratégias de curta duração.
Por fim, a última decisão de grande impacto que diferenciou as carteiras mais resilientes foi a incorporação de proteções não correlacionadas. Quase metade das carteiras do quartil superior incorporou ativos alternativos e reais (como commodities e imóveis), em comparação com menos de um terço das carteiras do quartil inferior que fizeram o mesmo. Essa inclusão tática permitiu aos assessores líderes gerar um benefício de diversificação de 23% (ante 15% das carteiras com desempenho inferior), conseguindo compensar com sucesso a correlação historicamente positiva entre renda variável e títulos que afetou a indústria durante o primeiro semestre do ano.



