Os fundos negociados em bolsa de ouro na América do Norte estão longe de brilhar no que diz respeito aos fluxos de investimento. Segundo dados do World Gold Council, a região registrou resgates de US$ 5,5 bilhões em junho, o que elevou a saída de capital da região no primeiro semestre do ano para US$ 7,7 bilhões. Foi, portanto, “o primeiro semestre mais fraco desde 2013”, segundo aponta a organização. A explicação está no “notável recuo do preço do ouro durante o mês”, que representou “um fator-chave para que os investidores reduzissem sua alocação em ETFs de ouro”.
Mas esse não foi o único fator, já que, à medida que o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, enviava sinais que apontavam para um aperto da política monetária — hawkish, segundo a interpretação do mercado — e o conflito entre os Estados Unidos e o Irã alimentava os temores inflacionários, intensificaram-se as expectativas de uma alta das taxas de juros no futuro. “Essa antecipação contribuiu para o aumento dos rendimentos reais e para o fortalecimento do dólar, o que elevou os custos de oportunidade para os investidores que mantinham posições em ouro”, aponta o World Gold Council.
Os números dos fluxos de investimento em junho foram determinantes para o balanço semestral. Os investidores globais reduziram suas posições em ETFs de ouro com lastro físico em US$ 8,9 bilhões em junho. Todas as regiões registraram saídas, sendo a América do Norte a que mais perdeu. Os ativos totais sob gestão dos ETFs de ouro em nível mundial caíram 13%, para US$ 526 bilhões, enquanto as posições foram reduzidas em 74 toneladas, para 4.047 toneladas.

Apesar dos resgates registrados em junho, os fluxos dos ETFs de ouro em nível mundial permaneceram positivos, com US$ 8 bilhões no primeiro semestre. A Ásia dominou as entradas globais — o primeiro semestre mais forte da história para a região —, enquanto a América do Norte foi a única região que registrou perdas. A Europa, por sua vez, registrou entradas sólidas de investimentos de US$ 3,2 bilhões no semestre, apesar das saídas de US$ 818 milhões em junho.
Os ativos sob gestão dos ETFs de ouro em nível mundial caíram 6% no primeiro semestre, refletindo a queda do preço do ouro apesar das entradas positivas. As posições coletivas aumentaram ligeiramente em 18 toneladas.
Previsões
A tendência pode se reverter. Há sinais que apontam nessa direção, segundo a organização. “Os fluxos dos ETFs de ouro regionais podem se estabilizar”, apontam, explicando que o cenário macroeconômico da organização indica um comportamento relativamente estável do ouro no segundo semestre, mas fatores como as persistentes incertezas em torno da geopolítica, do crescimento econômico e dos mercados financeiros podem continuar sustentando a demanda dos investidores por proteção para suas carteiras e “manter o interesse pelos ETFs de ouro como alocação estratégica de refúgio”.
Ainda assim, segundo aponta Nitesh Shah, Head of Commodities and Macroeconomic Research da WisdomTree, o ouro está em processo de transição para um novo nível de equilíbrio mais elevado, impulsionado por uma base de investidores cada vez mais ampla: as seguradoras chinesas, os fundos de pensão indianos e os emissores de ativos digitais, como a Tether.
“É provável que o processo de estabelecimento desse novo equilíbrio conte com episódios de volatilidade”, aponta, enquanto prevê que os preços do ouro podem acabar se estabilizando em um nível mais alto do que os atuais. Portanto, para os investidores de longo prazo, “os períodos voláteis podem representar oportunidades mais do que riscos”. De qualquer forma, admite que a elaboração de modelos sobre os preços do ouro é “especialmente complicada”.



